O que não te contaram sobre 2025 e o que 2026 promete: O novo mapa das duas rodas
- Lo.Co.

- 31 de dez. de 2025
- 5 min de leitura

E aí LoCo! 2025 já acabou e 2026 tá chegando.
O ano de 2025 está terminando como o ano da quebra de recordes. Se em janeiro falássemos que o Brasil ultrapassaria a marca de 2,1 milhões de motos emplacadas, muitos duvidariam. Mas o que as planilhas de vendas não mostram é a mudança silenciosa no perfil de quem está comprando: a moto deixou de ser apenas o "plano B" para se tornar o desejo principal de lazer.
Mas e 2026? Se 2025 foi o ano da quantidade, 2026 será o ano da diversidade. Prepare-se, porque o cenário que vem por aí vai mexer com a sua garagem.
O Renascimento Custom: A "Democratização do Estilo"
O que ninguém te contou sobre 2025 é que a categoria custom parou de ser exclusividade de quem tem mais de R$ 100 mil na conta. A Harley-Davidson tomou uma decisão estratégica global de se tornar uma marca de ultraluxo, focando em modelos premium e deixando um "vácuo" imenso nas cilindradas médias.
O que 2026 promete:
Domínio da Média Cilindrada: A Royal Enfield consolidou a liderança com a Super Meteor 650, mas 2026 verá a chegada de novas marcas como a Voge e a expansão da CFMoto com a CLC 450.
Mais Opções "Raiz": Marcas como a Shineray e a SBM estão apostando em motores V-Twin acessíveis (250cc a 400cc), trazendo de volta aquele visual clássico que as japonesas abandonaram.
O Retorno do Cromado: Veremos uma saturação das motos "street" comuns e uma busca maior por identidade visual. Em 2026, a custom não será apenas uma moto de final de semana, mas um acessório de estilo de vida.

Mototurismo: O Gigante Despertou
O mototurismo não apenas cresceu; ele se profissionalizou. Em 2025, vimos um aumento de 38% no número de novos habilitados na categoria A, e grande parte desse público já entra focado em viajar. Eventos como o Capital Moto Week bateram recordes, provando que o brasileiro quer estrada.
O setor de hotéis e pontos de parada "bikers" explodiu em 2025. Para 2026, a promessa é a consolidação de rotas temáticas (como a Rota da Baleia ou o Vale Europeu), inspiradas no modelo americano, mas com o tempero e os desafios brasileiros.
O Choque de Realidade: Brasil vs. EUA
Aqui é onde o "continho de fadas" encontra o asfalto. Muitos motociclistas sonham com a lendária Rota 66, e a comparação com a nossa malha rodoviária é inevitável.
Característica | Brasil (2025/2026) | Estados Unidos |
Condição das Estradas | 62% inadequadas. Apenas 10% são consideradas "ótimas" (maioria privadas). | Malha 63% pavimentada com manutenção constante. Postos de descanso a cada 80km. |
Pedágios para Motos | Otimismo: Cresce o número de concessões com isenção para motos (ex: BR-101 ES e estradas no PR). | Geralmente pagos (em pontes e vias expressas), mas integrados a sistemas sem parada. |
Custo de Aquisição | Uma moto média custa cerca de 28 salários mínimos. | A mesma moto custa cerca de 4 a 5 meses de trabalho básico. |
A verdade nua e crua: Enquanto nos EUA a moto é um lazer acessível e barato, no Brasil ela ainda é um item de luxo com alta carga tributária. Além disso, o custo operacional no Brasil (manutenção causada por buracos e combustível) é até 31% maior do que poderia ser se tivéssemos estradas de nível internacional.
Muitos influenciadores vendem o sonho da "Rota 66 brasileira", mas a realidade que o seu bolso e sua segurança enfrentam é bem diferente. Quando colocamos a lupa sobre os dados, percebemos que o motociclista brasileiro paga preço de primeiro mundo por uma infraestrutura de terceiro.
Abaixo, a comparação que as concessionárias de rodovias não gostam de mostrar:

1. O "Custo-Asfalto": Onde seu dinheiro vai parar?
Nos EUA, a Interstate Highway System (a espinha dorsal do país) é majoritariamente gratuita, financiada por impostos sobre combustível. Onde há pedágio (Turnpikes), o asfalto é frequentemente de concreto (com durabilidade de 20 anos). No Brasil, pagamos duas vezes: no IPVA/CIDE e no Pedágio.
EUA: Uma viagem de Miami a Orlando (380km) na Florida's Turnpike custa cerca de US$ 16 (aprox. 1h de trabalho de um salário mínimo local).
Brasil: Uma viagem similar de São Paulo a Ribeirão Preto pode custar mais de R$ 50,00 em pedágios (se não houver isenção). Isso representa quase 1 dia inteiro de trabalho para quem ganha um salário mínimo.
A Crítica: No Brasil, o pedágio não é barato proporcionalmente à renda. Você trabalha dias para pagar o direito de rodar em uma estrada que, segundo a CNT 2025, tem 62% de chance de ser apenas "regular" ou "ruim".
2. Segurança: A Guilhotina Brasileira
Aqui reside a diferença mais perversa.
EUA e Europa: As barreiras de proteção (guardrails) modernas possuem proteção inferior para evitar que, em uma queda, o motociclista deslize por baixo e atinja as hastes de metal.
Brasil: A maioria das nossas estradas ainda usa o guardrail antigo, conhecido fatalmente como "guilhotina". Em caso de queda, ele não protege; ele mutila. Além disso, a sinalização horizontal (olhos de gato) muitas vezes é alta demais, desestabilizando motos em trocas de faixa.
O Veredito: Nos EUA, paga-se pela manutenção da via. No Brasil, pagamos caro e ainda corremos risco de vida devido ao próprio design da via (remendos de asfalto mal feitos, óleo na pista e defensas metálicas assassinas).

3. A Ilusão da "Isenção" e o Free Flow
É verdade que novas concessões federais (como a Dutra e a BR-381) trouxeram a isenção de pedágio para motos. Isso é uma vitória? Sim, mas parcial.
A Pegadinha: Enquanto comemoramos a isenção em 10% das vias, os outros 90% (especialmente estaduais antigas) continuam cobrando tarifa cheia.
O Futuro (Free Flow): O sistema de cobrança automática por km rodado (Free Flow) está chegando. A promessa é justiça tarifária, mas o risco para 2026 é a "micro-cobrança". Hoje você roda grátis em trechos urbanos; com o Free Flow, cada quilômetro rodado na ida à padaria poderá ser tarifado. Nos EUA, o sistema existe há anos (E-ZPass), mas com rotas alternativas gratuitas viáveis. No Brasil, muitas vezes a rodovia pedagiada é a única opção transitável.
Resumo da Ópera para 2026
Enquanto o mototurismo nos EUA é um convite à liberdade com baixo custo e alta segurança, no Brasil ele é um ato de resistência. Em 2026, teremos motos incríveis (e caras) chegando ao mercado, mas que rodarão em um tapete de retalhos.
A pergunta que fica para o próximo ano não é apenas "qual moto comprar", mas "onde vale a pena rodar" sem sentir que está sendo tributado até a alma para desviar de buracos.
De qualquer forma fica aqui um Feliz Ano Novo para todos e não vamos esquecer de exigir nossos direitos de cidadão, afinal de contas os impostos estão sendo pagos, precisamos ver a contrapartida. Bora pra 2026 Siempre LoCo!



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