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A História da Harley-Davidson FXST: A Primeira Softail da Marca

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    Lo.Co.
  • 29 de ago. de 2025
  • 14 min de leitura


Capítulo 1: O Fim de Uma Era e o Grito por Mudança



1.1. O Cenário de Crise: A Harley-Davidson Pós-AMF


O início dos anos 80 representou um período de profunda incerteza e crise para a Harley-Davidson. A empresa, que esteve sob o controle da American Machine and Foundry (AMF) de 1969 a 1981, havia sido duramente atingida por uma gestão que priorizava o corte de custos e a simplificação da produção. As consequências foram catastróficas: um produto de baixa qualidade e uma força de trabalho desmotivada, que chegou a paralisar a produção em greve.1 A reputação lendária da marca foi manchada, e a indústria via a Harley-Davidson como uma sombra do seu passado glorioso.2



Nesse cenário de vulnerabilidade, a Harley-Davidson enfrentava uma ameaça ainda maior: a concorrência japonesa. Fabricantes como Honda, Kawasaki e Yamaha haviam "evoluído" em termos de engenharia, produzindo motocicletas que não apenas rodavam mais suavemente e tinham mais potência, mas também eram significativamente mais confiáveis e exigiam menos manutenção.1 Para muitos, as motos da Harley-Davidson eram vistas como relíquias de uma era distante, incapazes de competir com a modernidade e a eficiência de suas rivais.2 A Harley estava à beira da falência.

A virada histórica veio em 1981, quando um grupo de 13 investidores, entre eles Willie G. Davidson, o neto de um dos fundadores, orquestrou a compra da empresa de volta por 80 milhões de dólares. Esse ato não foi apenas uma transação comercial; foi a recuperação do controle de um legado e um compromisso de restaurar o orgulho e a reputação que a Harley-Davidson havia perdido.1 A nova liderança sabia que a reestruturação não poderia se limitar a medidas gerenciais; a salvação da marca exigiria uma inovação de produto sem precedentes.


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1.2. VAZA ÓLEO!! O Legado Problemático do Motor Shovelhead



O motor Shovelhead, que impulsionava as motos da marca desde 1966, era o epicentro da crise de reputação. Embora tivesse sido um aprimoramento do motor Panhead, o Shovelhead carregava falhas de projeto fundamentais que se manifestavam em problemas crônicos. A principal delas eram os vazamentos de óleo, uma dor de cabeça constante para os proprietários.4 Esse problema derivava da expansão térmica desigual entre o cabeçote de alumínio e os cilindros de ferro fundido, que, ao aquecerem, moviam-se de forma imperceptível um em relação ao outro, deteriorando as juntas do cabeçote e causando vazamentos persistentes.4



Além disso, o acúmulo de óleo nas tampas das válvulas era uma questão recorrente. A falha nas vedações da caixa de balancins permitia que o óleo vazasse para a câmara de combustão, resultando em um consumo de óleo excessivo—chegando a um litro a cada 250 milhas em alguns casos.4 A refrigeração era outro ponto fraco. As aletas de refrigeração insuficientes faziam com que os cabeçotes de alumínio do Shovelhead operassem a temperaturas muito elevadas, agravando os problemas de vazamento e diminuindo a durabilidade geral do motor.4 A baixa confiabilidade do Shovelhead foi um fator determinante para o declínio da Harley-Davidson e a razão pela qual a nova gestão entendeu que um novo motor era a única solução para recuperar a confiança do mercado.6



1.3. A Crise como Catalisador para a Inovação


O cenário de crise no início dos anos 80 não foi um mero revés para a Harley-Davidson; foi, na verdade, o catalisador que forçou a empresa a se reinventar de uma forma que ela não havia feito por décadas. O fracasso do motor Shovelhead, resultado de anos de negligência corporativa sob a AMF, gerou uma crise de confiança que não podia ser resolvida com soluções paliativas. Em vez de simplesmente refinar o que já existia, a nova liderança compreendeu que a situação exigia uma inovação radical, um novo motor que fosse fundamentalmente superior em todos os aspectos.5

Essa percepção foi reforçada por uma intervenção de mercado: a proteção tarifária de cinco anos imposta pelos EUA contra motocicletas japonesas com mais de 700 centímetros cúbicos.2 Essa medida não resolveu os problemas internos da Harley, mas forneceu uma janela de oportunidade crucial para a empresa se reestruturar e investir maciçamente em pesquisa e desenvolvimento. A empresa não estava apenas buscando consertar um motor, mas sim construir um novo legado. A narrativa da "reorganização" da Harley-Davidson é, portanto, uma história de "salvação através da inovação" — um caminho que a concorrência já havia percorrido, e que a Harley foi obrigada a seguir para sobreviver.


O dia em que William G. Davidson passou o controle da Harley-Davidson para a AMF
O dia em que William G. Davidson passou o controle da Harley-Davidson para a AMF

Capítulo 2: O Nascimento do "Blockhead": A Engenharia que Salvou a Marca


O MOTOR EVOLUTION
O MOTOR EVOLUTION

2.1. O Projeto Evolution: Uma Revolução Silenciosa


O novo motor, lançado em 1984, foi o primeiro passo decisivo da Harley-Davidson para restaurar sua reputação. Conhecido popularmente como "Evo" e, ocasionalmente, "Blockhead" — uma referência às suas tampas de balancim em forma de bloco — o motor V-twin Evolution foi o resultado de um meticuloso processo de desenvolvimento que durou sete anos.5 O nome "Evolution" não foi escolhido por acaso; foi uma jogada de marketing estratégica, cuidadosamente alinhada com o esforço de renovação da marca. Ele sinalizava ao mundo que a Harley-Davidson também poderia "evoluir" para competir de igual para igual com a tecnologia japonesa e, assim, reconquistar sua participação de mercado.1


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2.2. Inovações Técnicas e Materiais

A principal inovação do motor Evolution foi a transição para uma construção inteiramente de alumínio nos cabeçotes e cilindros.1 Essa mudança de materiais, em contraste com a antiga combinação de alumínio e ferro fundido do Shovelhead, trouxe uma série de benefícios críticos. O alumínio, por ser um condutor térmico superior, melhorou significativamente a eficiência de resfriamento do motor, que rodava mais frio e de forma mais limpa.1 A leveza do material também contribuiu para um peso total menor, e a uniformidade da expansão térmica entre cabeçote e cilindro reduziu o desgaste nas vedações das juntas.

A engenharia por trás do Evo resolveu o problema de vazamento do Shovelhead de uma vez por todas. O novo design utilizava longos parafusos passantes ("through-studs") que fixavam o conjunto do cilindro e cabeçote diretamente ao cárter. Essa solução inteligente permitia que o conjunto do motor se expandisse com o calor sem esticar permanentemente os parafusos, eliminando o problema crônico de vazamento das juntas da base e do cabeçote que afetava os motores Shovelhead anteriores a 1989.5

OS PRISIONEIROS MAIS LONGOS GARANTIAM UMA MELHOR VEDAÇÃO DO MOTOR EVOLUTION
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O motor Evolution Big Twin foi o último da linha de motores com comando de válvula único da Harley, uma linhagem que remontava ao icônico motor Knucklehead de 1936. Seu design, que utilizava um único comando de quatro lóbulos acionado por engrenagens, simplificava a substituição do comando de válvulas, mas gerava um trem de válvulas complexo com hastes de pressão que se desviavam em ângulos distintos.8


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2.3. O Fim da Linha para o Evolution (Big Twin)


A produção do Evolution Big Twin de 1.340 cc continuou ininterruptamente de 1984 até 1999, embora um último modelo de produção, o FXR4, tenha recebido o motor em 2000.1 O motor foi finalmente substituído pelo Twin Cam 88, que estreou em 1999 nos modelos Touring e Dyna e em 2000 nos modelos Softail.8 A transição para o Twin Cam, que introduziu dois comandos de válvulas e uma bomba de óleo de duplo gerador, visava atender às crescentes exigências de potência e eficiência.7


A ICONICA FXR 4
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2.4. O Evolution como um Ponto de Transição e a Base para o Futuro


O motor Evolution não foi apenas um novo motor; ele foi a ponte tecnológica que conectou a engenharia da velha guarda, com sua herança do Knucklehead, às demandas da era moderna, focadas em confiabilidade e durabilidade. A simplicidade de seu design e a imensa quantidade de suporte de peças de reposição e clones de terceiros, como os da S&S Cycle, permitiram o florescimento da cultura de customização.8 Essa abordagem permitiu à Harley-Davidson não apenas se salvar, mas também criar uma plataforma que capacitou entusiastas e construtores a manterem sua arte viva. O motor Evolution se tornou o design da Harley-Davidson mais amplamente suportado pelo mercado de reposição, um legado que se estendeu muito além de seu período de produção.

A tabela a seguir ilustra a evolução técnica dos motores Big Twin da Harley-Davidson, demonstrando como as inovações do Evo superaram diretamente as falhas de seu antecessor e pavimentaram o caminho para os motores futuros.

Característica

Shovelhead (1966-1984)

Evolution (1984-1999)

Twin Cam (1999-2017)

Materiais Principais

Cabeçote de alumínio, cilindro de ferro fundido

Cabeçote e cilindro de alumínio

Cabeçote e cilindro de alumínio

Problemas Comuns

Vazamentos de óleo crônicos, superaquecimento, alto consumo de óleo

Vazamentos em modelos iniciais (pré-1989)

Problemas de lubrificação resolvidos com bomba de óleo de duplo gerador 13

Inovações Técnicas

Aprimoramento do Panhead, refrigeração e lubrificação insuficientes 4

Design totalmente de alumínio, parafusos passantes longos para acomodar a expansão térmica 5

Dois comandos de válvulas sincronizados por corrente para mais potência 7

Legado

Motor da era AMF, reputação de baixa confiabilidade

Motor que salvou a empresa, base para customização e mercado de reposição 8

Substituiu o Evo, mais potente, com injeção de combustível eletrônica opcional 7


Capítulo 3: O Gênio da Aparência: A Criação da Suspensão Oculta


BILL DAVIS E SUA INVENÇÃO - SUSPENSAO SOFTAIL
BILL DAVIS E SUA INVENÇÃO - SUSPENSAO SOFTAIL

3.1. A Busca pela Hardtail Confortável


O design da motocicleta Softail tem suas raízes na cultura custom americana das décadas de 1950 e 1960. O visual "hardtail" — que se traduz em "rabo duro" — era extremamente popular entre construtores de choppers e bobbers. Esses quadros, sem suspensão traseira visível, criavam uma linha reta de aço do tubo de direção até o eixo traseiro, proporcionando uma estética limpa, baixa e alongada.16 No entanto, a pilotagem era notoriamente "brutal," transmitindo cada imperfeição da estrada diretamente para o piloto, uma experiência que era vista como uma "insígnia de distinção" por aqueles que abraçavam o estilo de vida

outlaw biker.3 O dilema, portanto, era: como combinar a estética de um quadro rígido com o conforto de uma suspensão moderna?



3.2. A Origem não Oficial: O Protótipo de Bill Davis


O conceito que se tornaria a Softail não foi uma ideia original da Harley-Davidson, mas sim a criação de um engenheiro mecânico e motociclista de St. Louis, Missouri, chamado Bill Davis. Davis amava o visual das hardtails, mas detestava a dor e o desconforto que elas causavam em viagens longas.18 Na metade dos anos 70, Davis começou a experimentar com um design que escondia a suspensão traseira. Ele construiu seu primeiro protótipo em sua própria Super Glide de 1972, utilizando um

swingarm triangular articulado com amortecedores ocultos sob o assento.16 O design, que ele patenteou em 1976, ficou conhecido como "Sub-Shock".20


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3.3. Da Garagem para a Fábrica de Milwaukee


Em 1976, Davis apresentou sua invenção a Willie G. Davidson, que ficou impressionado com o conceito, mas não assumiu um compromisso de compra. Davis continuou a aprimorar o design por conta própria, formando uma empresa chamada Road Worx. Após enfrentar dificuldades financeiras, Davis entrou novamente em contato com a Harley-Davidson. Em um movimento decisivo, a empresa, sob sua nova gestão, viu o potencial do projeto. Em janeiro de 1982, a Harley-Davidson finalmente comprou as patentes, o protótipo e as ferramentas de Davis.18

O projeto final de produção utilizou um swingarm triangular que, ao invés de amortecedores visíveis, incorporava um sistema com dois amortecedores a gás montados horizontalmente e estrategicamente escondidos sob a transmissão.2 Essa engenharia inteligente criava a ilusão visual de um quadro rígido, reproduzindo o estilo clássico das motos de 1950, mas oferecendo o conforto de uma suspensão traseira funcional.16


A SUSPENSAO SOFTAIL REVOLUCIONOU O MERCADO MOTOCICLISTICO
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3.4. A Síntese de Estética e Funcionalidade


A invenção de Bill Davis resolveu um problema que a própria Harley-Davidson, até então, não havia conseguido abordar de forma eficaz. O design Softail não foi criado para ser uma suspensão de alto desempenho, mas sim para ser "intencionalmente projetado para parecer décadas mais velho".16 O gênio do design estava em esconder o conforto para preservar a estética de uma

hardtail. A Harley-Davidson, ao adquirir a patente e refinar o design, entendeu uma verdade fundamental sobre seu mercado: os clientes, que incluíam advogados e dentistas, estavam dispostos a pagar por uma moto que oferecesse o visual outlaw sem as penalidades de um quadro rígido de verdade.3

Essa abordagem, que priorizava o estilo e a facilidade de pilotagem sobre o desempenho técnico puro, tornou-se a estratégia central da Harley-Davidson para o futuro.3 O sucesso da Softail demonstrou que a empresa não precisava competir de igual para igual com as especificações técnicas das motos japonesas, mas sim vender uma experiência, uma proposta de autenticidade e um estilo de vida que a concorrência simplesmente não conseguia replicar.


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Capítulo 4: O Momento do Encontro: A FXST de 1984


ANUNCIO DO LANÇAMENTO DA SOFTAIL FXST - A PRIMEIRA SOFTAIL
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4.1. O Grande Lançamento e as Primeiras Impressões


O ponto de virada na história da Harley-Davidson materializou-se no modelo de 1984, a FXST Softail. A moto foi apresentada ao público em junho de 1983 18, e seu lançamento representou uma dupla revolução. Não só foi o primeiro modelo de produção a ostentar o revolucionário quadro Softail, mas também foi uma das cinco primeiras motos da linha a receber o novo motor Evolution de 1.340 cc.7

O design da FXST era uma síntese de elementos clássicos e modernos. Inspirada no sucesso da Wide Glide de 1980, ela apresentava um garfo dianteiro amplamente espaçado e uma roda dianteira fina de 21 polegadas.2 A estética "chopper" era evidente em seu para-lama dianteiro minimalista e no tanque de óleo em forma de ferradura, uma característica que ecoava o estilo das antigas

hardtails.2 Pesando 281 kg a seco e com uma transmissão de quatro marchas, a FXST era uma máquina imponente e marcante.2


HARLEY-DAVIDSON FXDWG WIDE GLIDE
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4.2. A Experiência de Pilotagem e a Recepção da Crítica


A recepção da imprensa à FXST Softail de 1984 foi amplamente positiva, destacando a habilidade da moto em combinar estilo e conforto. A condução foi descrita como "luxuosa" em terrenos irregulares, uma consequência direta de sua suspensão traseira oculta.2 A moto se sentia mais à vontade e entregava um "ronco relaxante" na faixa de 90 a 110 km/h.2

No entanto, a FXST não era uma moto de alto desempenho. A vibração do motor se tornava mais pronunciada acima de 120 km/h, tornando-se "difícil de conviver" em velocidades de rodovia mais elevadas. Embora pudesse atingir 175 km/h, um resenhista de época ironizou que a moto não foi feita para rodar a essa velocidade, pois "seus dentes cairiam bem rápido".2 A FXST também era descrita como tendo um manuseio lento e pouca distância para curvas, um compromisso aceitável para o seu peso e design.2 O veredito geral foi que a Softail era uma "proposição realista para a vida inteira," uma máquina que priorizava a tradição e a estética sobre a usabilidade diária sem sacrificar o conforto.

SOFTAIL FXST - UM DESIGN COM ESTILO QUE CHAMA A ATENÇÃO ATÉ HOJE
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4.3. A Consciência do "Preço" da Tradição


A pesquisa sobre a FXST revela uma dinâmica de valorização que se tornaria a marca registrada da Harley-Davidson. Embora tecnicamente superada por algumas motos japonesas em desempenho puro, a Softail de 1984 foi vendida por pouco mais de 10 mil dólares, um valor considerável para a época. Um artigo da época justificou esse preço afirmando que a Harley-Davidson oferecia "mais por dólar em termos de acabamento e durabilidade," distinguindo-se das máquinas japonesas mais acessíveis, mas menos sofisticadas.2

Essa justificação indica que a Harley-Davidson já estava vendendo mais do que um meio de transporte; estava vendendo um estilo de vida, uma "proposição para a vida inteira" que a concorrência não podia imitar. O sucesso da FXST Softail provou que o futuro da Harley-Davidson não estava em competir em especificações técnicas, mas sim em vender a "autenticidade" e a "experiência" de pilotagem, um conceito que a diferenciava do resto da indústria. A FXST foi o primeiro produto a encapsular com sucesso essa nova identidade de marca.


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Capítulo 5: O Legado Duradouro: A Família Softail e a Cultura Evolution

NO DIA EM QUE WILLIE G. DAVIDSON ASSUMIU O CONTROLE DA HARLEY-DAVIDSON DA AMF OS MOTOCICLISTAS SAIRAM EM COMBOIO PARA COMEMORAR
NO DIA EM QUE WILLIE G. DAVIDSON ASSUMIU O CONTROLE DA HARLEY-DAVIDSON DA AMF OS MOTOCICLISTAS SAIRAM EM COMBOIO PARA COMEMORAR

5.1. A FXST como a Matriz de uma Linhagem de Sucesso


NIGHT TRAIN
NIGHT TRAIN



O sucesso imediato da FXST Softail transformou seu quadro em uma plataforma versátil e lucrativa para a Harley-Davidson. A moto se tornou a matriz de uma linhagem de modelos que definiria a marca por décadas.18 A primeira descendente foi a

Heritage Softail, lançada em 1986, uma moto que capturava o estilo retrô dos modelos Hydra Glide dos anos 50, com sua roda dianteira de 16 polegadas, alforjes de couro e para-brisa.18

Em 1990, a marca lançou a Fat Boy, que se tornaria um sucesso cultural instantâneo e um dos modelos mais icônicos da Harley-Davidson, imortalizada no filme O Exterminador do Futuro 2: O Julgamento Final. Sua aparência musculosa com rodas de disco sólidas e pneus largos a tornou a Softail de maior sucesso na época de seu lançamento.18 O legado da Softail continuou com modelos como a

Softail Springer (1988), a Night Train (1998) e a Softail Slim (2012), cada um explorando um estilo único.18 Em 2018, a Harley-Davidson fundiu as linhas Softail e Dyna, introduzindo um novo quadro mais leve e um único mono-amortecedor para melhorar o manuseio e o conforto, mantendo a estética original.16

A tabela a seguir traça a linhagem da família Softail, mostrando como a FXST serviu de base para a criação de uma das linhas de motocicletas mais populares e bem-sucedidas da Harley-Davidson.

Modelo Softail

Ano de Lançamento

Características Distintivas

FXST Softail

1984

A primeira Softail, com design minimalista, roda dianteira de 21" e a suspensão traseira oculta.

FLST Heritage Softail

1986

Estilo retrô de "roadster" dos anos 50, com alforjes de couro, para-brisa e roda dianteira de 16". 18

FXSTS Springer Softail

1988

Garfo dianteiro Springer, que remete aos antigos modelos, mas com engenharia moderna. 18

FLSTF Fat Boy

1990

Rodas de disco sólidas, pneus largos e aparência robusta, imortalizada no cinema. 24

Outros Modelos de Destaque

Diversos

Night Train, Deuce, Softail Slim. Cada um com um estilo único, mas baseados na mesma plataforma Softail. 18


5.2. O Legado do Motor Evolution


O motor Evolution, que estreou na FXST, também construiu seu próprio legado na cultura custom. Sua simplicidade mecânica, durabilidade e o imenso mercado de peças de reposição e clones de terceiros, como os produzidos pela S&S Cycle, o tornaram o motor preferido da comunidade de customização.8 Sua reputação de confiabilidade e facilidade de manutenção o transformou na base ideal para projetos personalizados, de

choppers clássicos a cruisers contemporâneos.9 O Evo é considerado o design da Harley-Davidson mais amplamente suportado pelo mercado de reposição.8 Embora o motor Evolution Big Twin tenha sido substituído, o projeto continuou a impulsionar a linha Sportster até 2021, atestando a solidez e a longevidade de seu design.8




5.3. A Softail como a "Plataforma de Lançamento" da Harley do Futuro


A Softail era mais do que um único modelo; era uma estratégia. A Harley-Davidson usou-a como uma plataforma para explorar e dominar diferentes nichos de mercado, do estilo retrô da Heritage ao visual agressivo da Night Train. Ao manter o mesmo quadro, motor e transmissão em diversos modelos 16, a empresa podia criar "novas" motos (como a Deuce, Fat Boy, Springer) apenas alterando o garfo, as rodas e os acessórios. Essa abordagem permitiu uma expansão rápida e econômica da linha de produtos, maximizando os lucros e minimizando os custos de pesquisa e desenvolvimento.

Essa exploração do "marketing de plataforma" solidificou a posição da Harley-Davidson como a líder indiscutível no segmento de cruiser. A Softail, com seu design de Bill Davis, se tornou o epítome de como a empresa conseguiu transformar um único produto em uma linha de motocicletas icônica e extremamente lucrativa, garantindo seu sucesso financeiro por décadas.


SOFTAIL HERITAGE 1986
SOFTAIL HERITAGE 1986

Capítulo 6: Conclusão: Tradição e Inovação em Uma Única Máquina



6.1. O Ponto de Virada


A história da FXST Softail de 1984 é, em essência, a história do renascimento da Harley-Davidson. Representa o ponto de virada decisivo onde a empresa, à beira da falência, abraçou a inovação tecnológica sem trair a essência e o espírito que a tornavam única.1 O sucesso da FXST não foi um acidente, mas a validação de uma nova filosofia de negócios: construir máquinas que celebram o passado, mas com a confiabilidade e o conforto do presente.


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6.2. A Síntese Perfeita


A FXST Softail foi a síntese perfeita de duas inovações cruciais para a Harley-Davidson. A primeira foi o motor Evolution, que restaurou a confiança dos clientes ao resolver os problemas crônicos de vazamento e durabilidade que afligiam seu antecessor, o Shovelhead. A segunda foi o quadro Softail, que resolveu o dilema de design entre a estética clássica das hardtails e a necessidade de uma suspensão traseira que tornasse a pilotagem confortável em longas distâncias.


6.3. Um Legado que Resiste ao Tempo


O legado da FXST Softail vai muito além de seu papel como o primeiro modelo de uma família de sucesso. Ela definiu a estratégia da Harley-Davidson para o futuro, provando que a abordagem de design focada em oferecer o "visual sem a dor" de uma hardtail ressoava com um público mais amplo e lucrativo. Essa visão pavimentou o caminho para a marca se tornar a potência global que é hoje. A FXST não foi apenas a primeira Softail; ela foi a máquina que provou que a Harley-Davidson havia, de fato, "evoluído," e estava pronta para escrever os próximos capítulos de sua lendária história.


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1 comentário


fabianomarinho1977
02 de set. de 2025

Ótima matéria...👍

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